Indústria 4.0

Indústria 4.0

Produzido por: Rodrigo Vianna

Introdução

Olá, caro leitor. Neste artigo iremos falar sobre a Indústria 4.0. Para introduzir o tema, iremos comentar um pouco sobre as revoluções industriais anteriores. 

Antes de tudo, é importante explicar o que é uma revolução industrial. Esse termo serve para designar períodos de grandes mudanças no modelo de produção de um e/ou grupo de países em questão. Ademais, é relevante enfatizar que essas alterações não se contiveram apenas no âmbito industrial, mas afetaram, também, as relações sociais, econômicas e políticas do mundo como um todo.

Simplificando em uma breve linha cronológica, a Primeira Revolução Industrial teve seu início marcado na segunda metade do século XVIII. Agora, no século XXI, estamos a alguns passos da Quarta, melhor sintetizada pelo nome Indústria 4.0. Esse termo 4.0 surgiu como referência às versões de softwares, o que é bastante condizente com o que essa nova revolução se propõe. Porém, antes de nos aprofundarmos, é necessário retornarmos um pouco na história e falarmos sobre as revoluções anteriores para, assim, entendermos a soma das mudanças ocorridas ao longo do tempo. 

Histórico das Revoluções Industriais

Primeira Revolução

Como falado anteriormente, o seu início data da segunda metade do século XVIII e ocorreu, majoritariamente, na Inglaterra. O pioneirismo desse país se deu pela abundância de recursos naturais disponíveis, pelo crescimento populacional e da mão de obra barata de emigrantes que saíam dos campos para a cidade devido ao “cercamento dos campos” — política que objetivava a desapropriação de terras para o aumento da produção de matérias-primas.  As principais características dessa revolução foram: 

  • Utilização do carvão como combustível;
  • Desenvolvimento da indústria têxtil; 
  • Substituição da mão de obra humana por máquinas;
  • Aprimoramento da extração de recursos naturais;
  • Transformação de matérias- primas;

Como consequência, surgiram mudanças nas relações trabalhistas, como a chamada “alienação do trabalhador” — cada operário passou a realizar uma única parte do processo fabril — e a ascensão da burguesia industrial, que defendia o livre comércio.

Segunda Revolução

A Segunda Revolução Industrial teve início na segunda metade do século XIX. Diferente da sua antecessora, essa não ocorreu em um único país, mas em diversas potências, como Estados Unidos, França, Rússia, Japão e Alemanha. Além disso, o principal marco alcançado nesse período foi o desenvolvimento de:

  • Novas técnicas de produção de energia elétrica;
  • Motor a explosão; 
  • Linha de montagem;
  • Indústria siderúrgica.

Em contrapartida ao desenvolvimento, as consequências foram o aumento da concentração de capital e a desvalorização da mão de obra. É interessante fazer o seguinte paralelo: como não houve aumento salarial de maneira significativa, mas aumento da produção, gerou-se a incapacidade do mercado de absorver os produtos comercializados, acarretando no acréscimo de estoques desses produtos. De fato, isso foi uma das influências da quebra da bolsa de valores em 1929.

Terceira Revolução

A Terceira Revolução Industrial ocorreu, na sua maior parte, nas potências europeias e nos Estados Unidos na segunda metade do século XX. As principais indústrias a se desenvolverem foram a de microeletrônica, biotecnologia e química fina. Diferente das revoluções anteriores, a Terceira prezava por mão de obra qualificada, além da participação do trabalhador em todas as etapas de produção. Ademais, o modelo de produção foi regido sob encomendas, sendo o bordão conhecido como “just in time” criado por conta do modelo Toyotista de produção.

Uma conquista interessante desse momento histórico foi a diminuição da distância devido à melhoria nos meios de telecomunicação, com destaque para o surgimento da televisão, do rádio, da telefonia e da internet — o que marcou o início do que conhecemos como “globalização”. 

Indústria 4.0

Como observado nos tópicos anteriores, foi possível ver que os modelos industriais objetivavam aprimorar sua capacidade de produzir mais em menos tempo. Como consequência, provocaram impactos no âmbito social e econômico, seja pelo êxodo rural, mudança nas relações de trabalho ou por crises que os sucederam.

Todavia, com uma nova revolução iminente, a pergunta que nos fazemos é: Quais seriam os seus ganhos econômicos para as empresas e possíveis desafios a superar para a implementação desse novo meio de produção? Essas reflexões serão melhor abordadas posteriormente; antes iremos discutir o que seria Indústria 4.0. Vamos lá.

O que é Indústria 4.0

O termo foi originado em 2011, na Alemanha, a partir de um projeto voltado à tecnologia, com o objetivo de garantir a competitividade de sua indústria. O destaque dessa iniciativa está na sua capacidade de operação e visualização dos processos, acontecendo em tempo real devido à presença de sensores nas máquinas e nos produtos. Essa é a constituição do sistema cyber-físico, no qual o produto se comunica com a máquina dizendo como deve ser seu processamento e, por fim, um computador analisa se ocorreu de forma correta. Com isso, a decisão de modificar um dos componentes do processo construtivo seria mais rápida.  

Outro ponto positivo é o fato da produção ser constituída por módulos, de forma semelhante ao brinquedo LEGO. Essa característica permite flexibilidade ao modelo de produção, pois, ao desacoplar um dos módulos, seria possível alterar a forma do que está sendo produzido. O melhor exemplo a se destacar é o de uma garrafa. Imaginando que essa seja cilíndrica, em um primeiro momento, ao identificar que um modelo quadrado é melhor para sua comercialização, seria apenas necessário trocar o módulo para que o novo modelo pudesse ser comercializado. 

Acabamos de observar como tudo isso irá funcionar, mas como, de fato, ocorrerá?! O principal pilar dessa revolução é Internet of Things ou IoT, que consiste na incorporação de sensores e/ou softwares nos produtos e no maquinário industrial com o objetivo de conectar e trocar dados uns com os outros em tempo real. Com a utilização desses sensores, cada elemento na linha de produção estará conectado à rede, enviando informações sobre seu processamento na cadeia produtiva, agilizando a tomada de decisões e a mudanças em sua produção caso necessário.

Ganhos Econômicos

Após conhecermos um pouco mais sobre a Indústria 4.0, iremos comentar sobre seus ganhos econômicos para as empresas. O primeiro a ser destacado é a eliminação de trabalhos repetitivos que exigem pouca ou nenhuma capacitação — entretanto, há a questão da maior especialização da função que será melhor abordado no tópico de desafios.

 Outro ganho significativo é a agilidade na tomada de decisão. Durante todo o processo de produção, os empreendimentos estarão recebendo informações sobre o que melhor se adequa ao público-alvo, com isso, torna-se mais simples estar preparado para as possíveis volatilidade do mercado e tomar as decisões o mais breve possível. Esse contexto, consequentemente, melhora os indicadores de gestão da empresa.

Por fim, um dos principais pontos da Indústria 4.0 é a diminuição de desperdícios e melhor otimização do processo. Toda etapa de produção será totalmente monitorada, dessa forma, ocorrem menos erros, o que reduz a quantidade de matéria-prima utilizada. Com isso, passaremos a ter, potencialmente, uma indústria que gera um menor impacto ambiental e que pode ter um lucro maior, caracterizando uma melhor eficiência. 

Desafios

Agora será possível responder a segunda pergunta feita no começo do tópico. O primeiro desafio a se destacar é a segurança digital. Uma vez que há maior quantidade de equipamentos conectados a redes, é iminente a necessidade de uma infraestrutura que vise proteger os dados pessoais e a propriedade intelectual dos funcionários envolvidos no processo de produção.

Outro desafio é conseguir produzir produtos mais personalizados ou individualizados por um menor custo. A premissa da produção em blocos e em tempo real é algo que vai de acordo com a primeira parte; entretanto, o corte de custo ainda é um empecilho a ser superado.

Um último desafio; porém, um dos mais debatidos, é o emprego de alta tecnologia, que necessita de mão de obra mais especializada, com habilidades mais específicas. Uma possível solução seria as próprias empresas engajadas com a iniciativa 4.0 capacitarem seus funcionários. Como ainda estamos apenas no começo de todo esse processo, será necessário aguardarmos mais algum tempo para sabermos como ocorrerá. Espero que estejam tão ansiosos quanto eu e que tenham apreciado a leitura. Até mais.

Referências

BRESSER-PEREIRA, L. C. Capital e organização no capitalismo tecnoburocrático. Tempo Social, v. 26, n. 2, p. 165–185, dez. 2014. 

LIMA, E. C. DE; NETO, C. R. DE O. Revolução Industrial: considerações sobre o pioneirismo industrial inglês. Disponível em: <https://doaj.org>. Acesso em: 2 fev. 2021. 

SANTOS, B. P. et al. INDÚSTRIA 4.0: DESAFIOS E OPORTUNIDADES. Disponível em: <https://doaj.org>. Acesso em: 4 fev. 2021. 

SILVEIRA, C. B. Indústria 4.0: O Que é, e como ela vai impactar o mundo. Disponível em: <https://www.citisystems.com.br/industria-4-0/>. Acesso em: 4 fev. 2021. Confira quais são os aspectos econômicos da Indústria 4.0. Disponível em: <https://stefanini.com/pt-br/trends/artigos/aspectos-economicos-da-industria-4-0>. Acesso em: 10 mar. 2021.

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