Os primeiros passos para sair do vermelho no cartão de crédito

Fala galera! Como muitos colegas e conhecidos têm reclamado de dívidas de cartão de crédito e cheque especial, decidimos dedicar a esse tema nosso primeiro post de finanças pessoais!

Para entendermos o porque de tantas famílias criarem dívidas sem fim com o cartão de crédito e o cheque especial, vamos começar vendo como funciona cada uma dessas modalidades de crédito e como funcionam suas taxas.

CARTÃO DE CRÉDITO

O cartão de crédito funciona de maneira bem simples: você faz uma compra e paga no mês seguinte, até a data de vencimento da fatura.

Porém o que acontece em pagamentos após o vencimento da fatura? Você pagará uma multa de, no mínimo, um mês de atraso, que é a taxa de juros mensal do cartão de crédito. Essas taxas no Brasil são exorbitantes!

Tenhamos como exemplo um cliente que recebe salário ou benefício INSS no Banco do Brasil, seu cartão terá uma taxa de 15,60% ao mês, como visto na tabela abaixo, retirada do site do BB.

Fonte: www.bb.com.br

Isso significa então que se eu ficar 3 meses sem pagar a fatura, eu vou pagar uma taxa de 3×15,6= 46,8%? Errado!

Infelizmente os juros do cartão de crédito são cobrados como juros compostos, razão que o torna tão perigoso. Os juros compostos nada mais são do que juros que multiplicam a taxa acumulada anteriormente. Veja bem, se você pegou 1000 reais emprestados no final do primeiro mês você deverá R$1156. No segundo, 1156*1,156(15,6%), ou seja R$1336 e no terceiro R$1544 (ao invés dos 1468 esperados). Parece pouca diferença, né? Mas as aparências enganam.

Em apenas um ano essa taxa chegará a 469,5% (ao invés dos 15,6 x 12 = 187,2% esperados). Ou seja, você deverá quase 5 vezes a quantia que pegou emprestada!

CHEQUE ESPECIAL

Agora vamos ao cheque especial, outra modalidade muito popular.

Ela permite que você gaste no cartão de débito/saque uma quantia de dinheiro além do que você possui na conta, pagando da mesma forma uma taxa. O curioso é que, ao contrário do senso comum, o cheque especial cobra taxas bem menores que o cartão de crédito, entretanto essas taxas são ainda bem altas.

No Banco do Brasil, por exemplo, variam de 69,5% até 315% ao ano dependendo do seu relacionamento com o banco. A vantagem é que no cheque especial você pode pagar sua dívida com 15 dias de atraso, pagando a taxa equivalente aos exatos 15 dias de atraso, ao contrário do cartão de crédito, onde será cobrado uma taxa equivalente a um mês de atraso.

Ok, sabendo disso tudo, como aplicar esses conhecimentos para sair do vermelho?

Primeiramente, pare de criar mais dívidas!

“O primeiro passo para sair do buraco é parar de cavar.”

(Warren Buffet)

Limite ou zere seus gastos no cartão de crédito e nunca pague a parcela mínima da sua fatura, o ideal é pagar logo toda a sua dívida de uma vez. Se for possível pegar dinheiro emprestado com familiares ou amigos, faça-o, e pague suas dívidas imediatamente, antes que saiam de controle.

Caso você tenha uma dívida grande demais para ser paga de imediato, junte a quantia máxima que conseguir e vá ao banco tentar renegociar essa dívida com sua gerente. A revista Exame publicou uma matéria interessante com os 10 passos para renegociar suas dívidas.

Porém fazemos um alerta quanto a prática de venda casada, muito comum nos bancos, porém proibida pelo código de defesa do consumidor (confira o passo 7 da reportagem supracitada). A venda casada ocorre quando o banco te oferece um produto ou serviço e condiciona a renegociação da sua dívida à aquisição do produto/serviço oferecido. Não caia nessa! Outra dúvida muito comum é: Qual dívida pagar primeiro? Pague primeiro as que possuem a maior taxa de juros, pois estas crescerão mais rapidamente, e deixe por último as com as menores taxas. Para visualizarmos melhor faremos um exemplo rápido.

Digamos que você dispõe de R$10.000 e tenha 4 dívidas.

Dívida A: R$10.000, taxa de juros: 100%a.a

Dívida B: R$2.000, taxa de juros: 140%a.a

Dívida C: R$7.000, taxa de juros: 120%a.a

Dívida D: R$1.000, taxa de juros: 150%a.a

Vamos analisar 2 casos:

1) Pagar a dívida A, que é a de valor mais alto, porém com menor taxa.

2) Pagar as dívidas B, C e D, que possuem menores valores, porém tem maiores taxas.

No caso 1, restará uma dívida de R$22.700,00 para o ano seguinte, referente as 3 dívidas restantes acrescidas de juros. No caso 2, restará para o ano seguinte uma dívida de R$20.000,00, referente ao valor da dívida A acrescida de juros.

Por isso, não engane, sempre pague antes as dívidas com maiores taxas!!

Espero que tenham gostado dessas dicas e que elas ajudem vocês a acabar com suas dívidas do cartão de crédito. Qualquer dúvida ou sugestão deixem aqui nos comentários.

Ah! E se você já passou por uma situação de endividamento, conta aqui pra gente nos comentários como você conseguiu sair dessa. Até a próxima e não deixem de seguir a LIEQ nas redes sociais.

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