Os Índices de Volatilidade do Brasil

Atualizado: 9 de Mai de 2020

O fluxo de investimentos se encaminha, idealmente, para onde possa ser melhor alocado, onde se espera que o risco seja menor em relação ao retorno trazido. O risco é um dos principais fatores que classificam um investimento; e ele pode ser analisado como a composição de diversos elementos, no qual se destaca o binômio lucro-prejuízo. 

Com a intenção de medir o risco das ações, criou-se índices capazes de refletir a flutuação do mercado ou a sua estabilidade, a exemplo temos o modelo proposto por Eduardo Sanchez Astorino, o “IVol-BR”, o qual se baseia na liquidez das opções do IBOVESPA. A metodologia, elaborada na Faculdade de Economia e Administração da USP, de acordo com a própria,envolve o “prêmio da variância”, ligado à repulsa ao risco, e a “variação esperada”; e por enquanto conta com baixa utilização no mercado. Posto de maneira simples, ele usa os preços das opções de ações, levando em consideração a liquidez delas e assume que a volatilidade futura das ações é função dessa variação presente.

No entanto, há um indicador mais utilizado pelo mercado: o VXEWZ (CBOE Brazil ETF Volatility Index) – cotado pela CBOE, a Bolsa de opções Chicago. Ele se utiliza do método VIX, índice de volatilidade ligado ao S & P dos EUA, ao calcular a flutuabilidade a partir dos preços de opções do IShares MSCI Brazil ETF (EWZ), e conforme Mastella (2015), contém uma grande diferença em relação ao índice anterior, ao utilizar o EWZ, que é cotado em doláres, acaba por embutir em si não só a volatilidade dos preços, mas também a flutuação cambial. De forma simplificada, representa o quanto os investidores “confiam” no Brasil, e assim considerando qual seria o risco para se investir aqui com o dólar, tentando prever a variação que as ações assumirão.

Para perceber a diferença entre os índices, o Núcleo de Economia Financeira da USP elabora Relatório de Indicadores Financeiros, que segue o relatório nº 233, e compara as variações no mesmo período tanto do VIX como do Ivol-BR:
Núcleo de Economia Financeira da USP – Relatório de Indicadores Financeiros – Número 233- segunda-feira, 27 de Abril de 2020

Em suma, não há um índice de volatilidade oficial para o Brasil, onde diferentes pessoas podem usar um ou outro índice que melhor se adeque às suas necessidades; o mais utilizado carrega consigo a variação do dólar e talvez impeça uma medição mais precisa das flutuações do mercado, mas que por outro lado podem servir para guiar a entrada de investimentos no país. O mais importante é que o investidor conheça as limitações de cada um. Parece existir a necessidade da elaboração de um índice mais adaptado à realidade; e para este fim contribuições, como a de Mastella eAstorino, podem ser de grande valia nesse empreendimento.

Por Lucas Oliveira

Bibliografia

Para acompanhar o índice VXEWZ há: 

https://br.financas.yahoo.com/quote/%5EVXEWZ/

Para conhecer mais sobre o IVol-BR, segue um site mantido por FEA- USP :

http://www.nefin.com.br/volatility_index.html  

Gráficos extraídos de:

http://www.nefin.com.br/Report/report_27_04_2020.pdf, Núcleo de Economia Financeira da USP – Relatório de Indicadores Financeiros – Número 233- segunda-feira, 27 de Abril de 2020 – Acessado em 03/05/2020.

ASTORINO, Eduardo et al. Variance Premium and Implied Volatility in a Low-Liquidity Option Market. Revista Brasileira de Economia, Rio de Janeiro, v. 71, n. 1, p. 3-28, mai. 2017. ISSN 1806-9134. 

Mastella, Mauro – O Conteúdo Informacional na Volatlidade Implícita no Brasil (2015).

Disponível em https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/131273/000981109.pdf?sequence=1. Acessado em 26/04/2020.

http://www.nefin.com.br/volatility_index.html Acessado em 26/04/2020.

http://www.nefin.com.br/Report/report_27_04_2020.pdf, Acessado em 03/05/2020.  

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