Minimalismo como mudança de hábitos financeiros

Ultimamente, muito tem se falado sobre fontes de investimentos que têm retornos maiores do que, por exemplo, a caderneta de poupança e, com isso, uma legião de pessoas passaram a ter interesse sobre o mundo dos investimentos. Contudo, caso não tenham um breve estudo, estas pessoas ignoram que, antes de investir, precisam estar com a sua saúde financeira bem e não sob a ajuda de aparelhos de UTI – aqui podemos dizer sob a “ajuda” de empréstimos e crédito no cheque especial.

Desde janeiro de 2019, a taxa de famílias endividadas no Brasil é maior do que 60%. Contudo, na última Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada em maio deste ano pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), cerca de 66,5% das famílias brasileiras estão endividadas, o que é uma situação alarmante e que pode ser piorada por conta da Pandemia de Covid-19. Para as pessoas que estudaram minimamente alguma coisa de finanças pessoais, e que também já leram o livro “Pai rico, pai pobre” de Robert Kiyosaki – um clássico para aqueles que estão começando –, significa que cada vez mais os brasileiros estão ficando sem saída na corrida dos ratos; este é um conceito apresentado no livro, que alerta para os riscos de uma mentalidade consumista e desprotegida, onde um aumento na renda costuma implicar um aumento nos gastos para o novo padrão de vida, sem dar a devida atenção para as reservas e investimentos. Para sair deste ciclo, entretanto, não há resposta pronta para resolver completamente o problema, pois cada caso é específico. Há, porém, alguns passos que podem resolver parte dele. São eles:

– Caso você não tenha dinheiro para pagar todas as dívidas, priorize o pagamento das contas que possuem os juros mais alto.

– Caso precise de dinheiro, fuja do cheque especial e do cartão de crédito pois eles são fontes de crédito caro. Por exemplo, é possível conseguir dinheiro sacando o limite do cartão de crédito, mas é necessário pagar pelo saque e as taxas de juros são em torno de 16%. Entretanto,, há empréstimos no mercado no qual a taxa de juros é de 2,91% a.m., contudo, esta modalidade necessita de uma pré-aprovação.

– Reduza gastos supérfluos do seu orçamento como, por exemplo, assinaturas online, TV a cabo, cinema, restaurantes e deliveries.

– Recrie seus hábitos e consuma de maneira consciente. Para este tópico, reservo o restante deste texto.

Atualmente, correntes que visam o consumo consciente como estilo de vida vêm se popularizando. Uma destas correntes é o minimalismo. No início, o termo se referia a movimentos artísticos do século XX que se baseavam em usar o mínimo de elementos estruturais como forma de expressão da arte e da comunicação. Entretanto, este conceito artístico transformou-se para a esfera social, onde busca simplificar a vida eliminando os excessos e mantendo apenas o que é essencial, sendo o principal enfoque o de viver com menos. Os minimalistas buscam combater o consumo exacerbado e inconsciente que cada vez mais leva as pessoas ao endividamento, além de focarem nos seus reais interesses, realização pessoal e autonomia.

Um exemplo de minimalista é Giuliana Neves de 25 anos, que sempre gostou de arrumar as coisas em casa, porém somente em 2018 passou a viver de forma minimalista que foi quando precisou ir morar com os pais em um apartamento pequeno. Mesmo trabalhando com moda, o maior exemplo de Giuliana é seu guarda-roupas que, na verdade, é uma arara onde não há divisão entre as roupas e há no total setenta peças de roupa diversificadas entre pijamas, roupas íntimas, calças, blusas etc.

Além disso, para Giulliana o minimalismo significa viver com as coisas que fazem sentido para a sua vida, divergindo de correntes mais radicais que dizem que você deve, por exemplo, ter apenas uma blusa de cada cor. Eu ainda perguntei a Giulliana se ela se imaginava vivendo como antigamente – que ela disse: “Não consigo me imaginar mais vivendo com aquele amontoado de coisas! O excesso de coisas me causa ansiedade”.

A corrente minimalista tem como consequência reduzir o excesso de compras, reiterando ter somente o que você utiliza e consome verdadeiramente. Viver desta forma traz economias significativas para o dia-a-dia, que podem transformar situações financeiras. Além disso, com menos coisas para se preocupar é possível economizar tempo com, por exemplo, qual roupa vestir ou qual xícara de café usar. Tanto o dinheiro quando o tempo economizados podem ser revertidos para os investimentos e estudos sobre o assunto.

Caso você tenha se interessado e queira saber mais sobre o Minimalismo, recomendo o documentário disponível na Netflix chamado Minimalism: a documentary about important things (Minimalismo: um documentário sobre coisas importantes) de Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus.

Em suma, este estilo de vida vêm conquistando as pessoas por conta de sua visão simplista onde “menos é mais” e que é possível ser feliz com pouco. Este último preceito, de certa forma, vai em contramão ao estilo de vida capitalista tradicional, porém é muitíssimo útil caso você esteja endividado.

Fique atento ao nosso blog para ficar dentro dos assuntos de finanças e investimentos!

Até a próxima!

Texto por Gabriela Lemos

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