Conceitos Iniciais para MEI

Fala galera linda e inteligente, tudo bem? Sou Allan Machado, atual Diretor de Gestão e Pessoas da LIEQ, e hoje gostaria de discutir com vocês alguns princípios de finanças aplicados a aspirantes no ramo empreendedor!

Sonhos como ter uma empresa própria, são desafios a serem vencidos e conquistados… Mas é claro que existe uma base financeira requerida por trás deles! O meu foco aqui será sobre MEI – Microempreendedor individual – cuja regra mais importante é que tenha o faturamento anual de até R$60.000,00 .

Serei breve em alguns conceitos, explicando (ou exemplificando) de maneira didática e sucinta:

1. Juros

2. Inflação

3. Finanças: Pessoal vs Empresa

4. Conceitos de Fluxo de Caixa

5. Noções de Capital de Giro

6. Microempreendedor Individual: impostos, taxas e outros

1. Juros – o que raios significa isso?

A definição de juros basicamente é a remuneração do capital ao longo de um tempo específico.

De forma mais didática, você emprestaria R$ 100.000,00 para um desconhecido por tempo indeterminado sem ter a certeza de que fosse receber de volta? Não, né? O dinheiro de certa maneira reflete o valor de trabalho/serviço em poder de compra de outros produtos. Ele representa energia, tempo e esforço investidos, seja no seu emprego, na sua empresa, etc. Então, a princípio você deveria receber uma remuneração em troca de emprestar esse dinheiro: por ele não estar disponível para você e também pelo tempo que for. Isso é o que os bancos fazem ao lhe ceder empréstimos, cheques ou cartões de crédito. A partir deste ponto, chegamos à uma importantíssima conclusão:

  • Dinheiro tem valor no tempo

Para empresas e organizações, este é um conceito crucial para a saúde financeira das mesmas (a ser retomado posteriormente neste texto). Para consumidores finais, esta frase pode ser perceptível ou não, a depender da inflação.

Outra explicação pertinente é que, como os juros refletem o custo de oportunidade/capital, vemos que:

  • Maiores Juros => Maior Custo de Capital => Crédito/Empréstimo Mais Caro => Menor Consumo

2. Inflação – um bicho de sete cabeças?

Vocês certamente já escutaram falar da tão temida inflação. Mas o que significa isso na prática?

Para o consumidor:

  • Perda do poder de compra – seu salário consegue comprar menos recursos/itens devido à desvalorização da moeda.
  • Redução do consumo – já que, em tese, você não tem o mesmo poder aquisitivo de antes, você acaba por comprar menos.

Exemplo prático: Quanto você gastava em um lanche, aquele X-Tudo saboroso, há 5 anos atrás e quanto gasta hoje? Muito mais? O que te leva à duas opções: usar maior parte da sua renda para comprar a mesma porção de lanches ou diminuir esta quantidade.

3. Finanças: Pessoal vs Empresa

Um dos erros mais comuns de MEI’s e pequenas empresas é a não divisão CRUCIAL dessas duas categorias. Se você tem uma empresa com as duas contas unificadas, fica difícil ter uma visão geral sobre o faturamento, custos, lucros, possíveis problemas simples ou mesmo críticos de operação, o que se perdurar pode acabar sabotando financeiramente o seu negócio.

Como saber qual é a natureza do gasto? Três simples perguntas podem te ajudar a definir isso:

  • Esse gasto é inerente ao meu dia de trabalho? (folga, férias)

Alimentação (VR) e custos de passagem (VT) são benefícios.

  • Caso estivesse trabalhando para alguém, ainda teria essa despesa?

Demonstra que independe do seu trabalho, logo é gasto pessoal.

  • Isso de alguma forma afeta/participa da minha lógica/procedimento de trabalho (caso tenha custos)?

Softwares como Office, notebooks e celulares devem ser gastos pessoais a não ser que sejam parte do investimento inicial ou exclusivos para o trabalho.

A partir disto, podemos começar a desenvolver nosso planejamento financeiro, que inicia-se em:

4. Fundamentos de Fluxo de Caixa

Entradas

  • Investimentos (inicial ou periódicos);

Para caso seja necessários tecnologias ou equipamentos específicos de trabalho.

  • Receita;

É o preço de venda do produto ou serviço x quantidade de vendas;

Saídas

  • Custos e Despesas (Fixos e variáveis);

Tudo aquilo que consta como a pagar referente ao trabalho, ex: aluguel (de escritório), suporte de TI (nuvem), dívidas, financiamentos, etc.

Faturamento

É a soma de todas as entradas de um período

Faturamento = Soma das Receitas

Lucro Bruto

É o faturamento subtraído das Saídas.

Lucro Bruto = Faturamento – Saídas

Lucro Líquido

É o lucro após pagamento ou dedução de impostos.

Lucro líquido = Lucro Bruto – Impostos

Fazendo um resumo visual:

Através da venda de produtos e/ou serviços, para estes seria interessante um estudo de mercado, para ver serviços similares, seus preços e qualidades (diferenciais), nichos de mercado, etc!!!

Caso seu saldo de caixa mensal esteja muito baixo, ou mesmo negativo, há duas possibilidades:

  • Sua receita está abaixo do necessário;

Procurar melhorar a qualidade dos serviços e/ou produtos, especialização, procurar novos ou trocar de nichos de mercado (clientes), reajustar os seus preços de acordo.

  • Seus custos e despesas estão maiores que sua receita pode suportar;

Às vezes rever custos desnecessários ou demasiados pode ajudar a balançar a conta ao seu favor no final do mês, como negociar com fornecedores (ou mesmo trocar de), otimizar o uso de matéria-prima (caso seja) e energia, despesas gerais, etc.

Fatores que influenciam a sua Receita

  • Quão escasso/ofertado é e qual a necessidade do meu produto/serviço?

Quanto maior escassez e a real necessidade, maior será a precificação.

  • Qual o diferencial do seu serviço e/ou produto oferecido perante outros do mercado?

O diferencial pode ser aquele ponto que falta para a fidelização de clientes ou captação de novos.

  • Qual o meu mercado consumidor e o quanto ele está disposto a pagar?

Essa é uma pergunta mais complicada, mas ao passo que sua empresa cresce, é pertinente e igualmente importante.

Fatores que influenciam seus Custos e Despesas

  • Quantos fornecedores de matéria-prima ou serviços essenciais para o meu negócio existem? Qual a possibilidade de negociar com eles por melhores serviços ou menores preços?

Fornecedores de serviço de matéria-prima, mão de obra, internet, telefone, t.i., etc.

  • Onde posso ter gastos demasiados/desnecessários em minhas operações?

Equipamentos ligados sem uso (standby), evitar intermediários em compra de matéria-prima ou venda, ver viabilidade de um espaço de trabalho de menor aluguel.

  • Como posso reduzir custos e despesas gerais?

Trocar equipamentos por mais eficientes (de luz/gás/etc).

5. Capital de Giro

Nem sempre (leia-se quase nunca) o tempo de pagamento e recebimento serão os mesmos. Em alguns casos em indústrias específicas, o gap entre venda e pagamento real pode demorar até 3 meses (!!!) ou até mais. Este caso chamamos de venda à prazo. O microempreendedor precisa ter ideia que isso vai acontecer, e mais importante que tudo, se PLANEJAR para esta situação. O tempo entre a venda e o recebimento terão contas a pagar e é necessário cuidado para lidar com isso.

  • O empréstimo (caro) para cobrir as contas pré-pagamento do cliente pode ser o sinal primário de que seu planejamento financeiro está acontecendo de forma errada, que é necessária a reformulação do mesmo.
  • Na prática, você financia a sua própria atividade até o recebimento, seja com capital próprio, seja com capital de terceiros (bancos), então deve-se negociar bem no seu preço de venda prazos e compensações por esse tempo de espera (juros, custo de oportunidade).
  • O ideal é que em alguns meses de operação/trabalho você já esteja estável neste ciclo, para não precisar de custos adicionais e por vezes demasiados: de empréstimos e custos de capitais de terceiros.
  • Uma vez que suas finanças estão sólidas, espera-se o planejamento e ações necessárias para a expansão e crescimento, sempre com prudência e determinação.

6. Microempreendedor Individual – Pontos Principais

  • É o empreendedor individual que trabalha por conta própria ou administra um pequeno negócio de faturamento de até R$ 60.000,00 ANUAIS (R$ 5.000,00 mensais na média), que deverá ser declarado no Portal do Empreendedor até às 23:59 h do dia 31 de maio de cada ano.
  • Não pode ter participação em outra empresa como sócio ou mesmo titular, ser pensionista, ser servidor público ou estrangeiro com visto provisório.
  • A criação do MEI se deu através da lei (complementar) de nº 128 de 19/12/2008 com o objetivo de formalizar aqueles trabalhadores que optavam pela informalidade.
  • Vantagens de MEI: Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) – o que facilita a abertura de conta bancária, o pedido de empréstimos e a emissão de notas fiscais.
  • O MEI não paga impostos federais, apenas uma taxa fixa mensal (“Carnê do MEI” ou DAS – Documento de Arrecadação do Simples Nacional) que é atualizada de acordo com o reajuste do salário mínimo, de acordo com o setor por ele inserido: comércio ou indústria; prestação de serviços; comércio e serviços;
  • o Microempreendedor Individual tem acesso a benefícios como auxílio maternidade, auxílio doença, aposentadoria depois de certo tempo de contribuição.
  • O MEI pode contratar um funcionário com remuneração de um salário mínimo ou piso salarial da categoria, com a arrecadação de 11% sobre a folha de pagamento ( 3% de INSS e 8% de FGTS).

OBS: Todas estas informações mais específicas e de taxas atualizadas podem ser acessadas no Portal do Empreendedor :

www.portaldoempreendedor.gov.br

*Valores de 2016

Deixe um comentário