Cansado do tradicional? Conheça Debêntures

Que tal investimentos com maiores retornos e um pouco mais de risco?

Nossa matéria de hoje é sobre debêntures, os títulos de dívidas de empresas.

Algumas empresas se utilizam de debêntures para captar investimentos e tirar do papel projetos rentáveis. Para isso, te oferecem uma taxa de remuneração média maior que a do mercado, além de muitas serem incentivadas (tendo isenção de imposto de renda).

Essa matéria tem como objetivo mostrar um pouco da metodologia para avaliar debêntures, pois ao contrário dos investimentos em renda fixa convencionais, elas não possuem garantia do FGC (fundo garantidor de crédito), o que significa que caso a empresa vá a falência ela pode não conseguir honrar com toda sua dívida.

Calma! Isso não significa que as empresas vão sair por aí dando calote. As emissoras de debêntures muitas vezes são empresas grandes e estáveis, como a Vale S/A, por exemplo. Para eliminar o risco de tomar calote, deve-se fazer uma análise minuciosa da saúde financeira da empresa. Mas o quê, como e aonde verificar? Hoje a gente veio aqui pra te ajudar a responder essas perguntas. Faremos uma simulação com a debênture da TCPA31 – Terminais de container Paranaguá.

Rating

O rating é normalmente realizado por empresas internacionais, que fazem uma avaliação de aspectos de gestão, mercado e indicadores financeiros. Quanto mais alto o Rating, mais segura a empresa é de se investir. Consulte a tabela de ratings do TCP neste link: http://www.fatorcorretora.com.br/arquivos/corretora_valores/produtos/oferta_publica/510/rating__set16_.pdf

Como destacado na imagem, o rating é apresentado no home broker da sua corretora na hora de investir. Vale sempre a pena dar uma olhada no relatório da agência, que pode ser encontrado com uma simples pesquisa no google.

Demonstrações Financeiras

Toda a empresa que emite debêntures deve obrigatoriamente apresentar demonstrações financeiras anuais. Através delas pode-se avaliar dados quantitativos do negócio, assim como um overview da empresa no ano e possíveis cenários de risco. Esses relatórios podem facilmente ser obtidos no site da empresa, na página de relações com o investidor, basta digitar no google. Veja o link: https://www.tcp.com.br/ri/

Você verá como é fácil obter essas informações!

Uma vez com as demonstrações financeiras em mãos, recomenda-se traçar um perfil dos últimos 4-5 anos, para entender como os principais indicadores financeiros variaram com o tempo. Segue um compilado de informações que obtivemos das demonstrações financeiras, encontradas no site. Tente abrir um arquivo e procurar as informações da tabela, vale a pena o exercício!

Os itens destacados em vermelho são os que julgamos mais importantes. Através deles percebe-se que apesar da empresa possuir uma dívida grande, a mesma é relativamente estável, enquanto que as receitas vêm crescendo, o que é um bom indicador. Outro fator importante, é que no relatório aparece a composição da dívida, ou seja, a taxa de juros com que ela cresce a cada ano.

Endividamento alto com uma taxa de juros baixa não é tão problemático, contanto que suas receitas permitam que a dívida não cresça de forma exponencial. Por isso traçamos o gráfico:

A linha vermelha prevê o crescimento do resultado financeiro através do ajuste do último resultado financeiro líquido (2016) pelo IPCA (como demonstrado no relatório da S&P, a empresa facilmente consegue repassar a inflação em seus produtos, tendo reajuste anual de seus preços), mostrando o quanto ela consegue gerar de lucro.

Já a linha azul, demonstra o acréscimo na dívida ocasionado pelos juros. No gráfico, considerou-se um cenário ruim, onde a empresa não paga nenhuma amortização da dívida até 2022, mesmo assim a mesma não cresce a ponto de superar as receitas, ou seja, a empresa ainda ganha mais do que deve, podendo honrar com suas dívidas. Dessa forma você recebe são e salvo seu investimento em 2022.

Um outro indicador interessante, é comparar os ativos da empresa com seu endividamento. No caso, fizemos um gráfico dos ativos imobilizados (containers, navios, maquinário, etc) e do endividamento nos últimos anos. Percebe-se que os ativos cresceram continuamente, junto a receita (no gráfico anterior), indicando que a empresa fez investimentos, adquirindo novos equipamentos. O fato da dívida estar relativamente estabilizada enquanto os ativos crescem é um bom indicativo da saúde da empresa, além dela valer mais do que deve.

Vantagens competitivas

Consultando-se o relatório da S&P (ou caso você queira, pesquisando sobre a empresa) algumas vantagens se destacam: (Os trechos a seguir foram retirados do relatório da S&P Global Ratings, publicado em 08 de Setembro de 2016)

  • “Acreditamos que em termos de perfil de risco de negócios, o grupo apresenta vantagem competitiva graças à sua localização geográfica, em uma região responsável por 33% do mercado de contêineres no Brasil, e à sua plataforma de logística totalmente integrada (TCP Log), com duas estações terrestres de contêineres e uma conexão direta exclusiva à ferrovia”. (Porto com alta movimentação, vantagem geográfica)
  • “Apesar de vermos uma crescente competição na região, em especial com Itapoá Terminais Portuários S.A. (brBBB-/Estável/–), acreditamos que o TCP tem sido capaz de fortalecer seu perfil de negócios e manter sua participação de mercado ao oferecer um serviço diferenciado. Além disso, a expansão do terminal poderá dar suporte à sua posição em termos de escala, porque lhe possibilitará melhoraras métricas de eficiência e operar com navios maiores e, dessa forma, com montantes mais altos de tonelagem”. (Aumento de capacidade gerando eficiência e reduzindo custos, além de atender novos clientes e se tornar mais competitivo)
  • “Nossa análise do perfil de risco financeiro do TCP se baseia fortemente no fato de o terminal ser controlado por um Patrocinador Financeiro, o qual o rienta suas políticas com relação à administração financeira e governança corporativa. Além disso, levamos em consideração que a alavancagem do grupo deverá ser mantida abaixo de 4,0x (índice de dívida líquida sobre EBITDA), mesmo durante o período de expansão nos próximos dois anos, de acordo com a atual limitação de alavancagem definida em seus documentos societários. De 2019 em diante, esperamos uma redução nos montantes de investimentos (capex), já que a maior parte dos trabalhos associados à renovação da concessão terá sido concluída, e as métricas deverão se beneficiar de uma geração de fluxo de caixa estável”. (Forte política de governança corporativa e controle de gastos, geração de fluxos de caixa estáveis e sem investimentos adicionais a partir de 2019)

Riscos

Esse tema é abordado nas Demonstrações Financeiras. Aqui vamos apontar os principais riscos de forma resumida:

Taxa de Juros: Como a empresa possui dívida relativamente alta, aumentos na taxa de juros representam um cenário desconfortável para a mesma. Atualmente o Brasil tem cenário previsto de redução na taxa de juros e controle da inflação, o que jogam a favor da empresa.

Riscos Cambial: No caso, a empresa recebe em moeda nacional e possui dívidas em real, logo ela não é afetada por variações no real, exceto por uma pequena quantia de dólares que a mesma possui em caixa.

Risco de Preço: O valor cobrado pelas operações portuárias não é controlado pelo Poder Concedente (governo) de forma que os riscos de queda de preços e valor de mercado são significativamente reduzidos.

Decisão final, investir ou não investir?

Essa decisão sempre caberá a você! A análise que fizemos só diz respeito ao risco da empresa não honrar com sua dívida. Para avaliar se é um bom negócio, compare com outros investimentos ao seu alcance e veja qual é o mais atrativo para o seu cenário!

Bons investimentos! E até semana que vem!

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