Análise Técnica – Conceitos Iniciais

Fala aí, galera que nos acompanha! Mais uma semana, mais um post fresquinho para vocês, dessa vez sobre análise técnica. Dando continuidade ao nosso tema de renda variável, hoje vamos aprender um pouco sobre uma das principais escolas de análise de ativos. Na semana passada, vimos uma abordagem inicial em ações e na anterior como funciona o aluguel de ações.

Antes de mais nada, o que é análise técnica?

A formação dos preços dos ativos no mercado de renda variável se dá pela eterna disputa entre compradores e vendedores. Estes querem sempre vender pelo maior preço, enquanto aqueles buscam comprar os ativos pelo menor preço. E é exatamente essa disputa que dá origem a dois símbolos muito conhecidos no mundo inteiro para quem opera em bolsas de valores: o urso e o touro. Mas o que eles representam?

Bem, o urso, que ataca de cima para baixo, representa a força vendedora do mercado, a qual podemos dizer que está vencendo a disputa quando o mercado está em baixa (preços caindo). Já o touro é o exato oposto, ele ataca de baixo para cima, representando a força compradora, que está vencendo a disputa quando o mercado está em alta (preços subindo).

E onde entra a análise técnica nisso tudo? É exatamente ela que vai nos permitir olhar para o mercado e identificar o que está acontecendo, se o urso (vendedores) está ganhando, ou se é o touro (compradores). Ou, ainda, se a disputa está equilibrada. Em essência, ela é uma análise do comportamento do mercado, dos preços dos ativos, das tendências que se repetem, dos padrões gráficos, das oscilações de preços, dos sinais de mercado etc.

O urso e o touro, em frente à bolsa de Frankfurt, Alemanha

Devido ao fato de, quanto maior o horizonte de tempo, maiores as chances de acontecimentos imprevisíveis e de alto potencial de impacto no mercado, a análise técnica é recomendada para operações de curto e médio prazos, para os quais costuma funcionar muito bem. Afinal, ela é, em essência, uma análise que busca prever os cenários de maior probabilidade.

Vamos começar com o básico e entender os princípios dessa escola.

Não é nenhum exagero afirmar que, de certa forma, se trata de uma maneira de tentar entender o lado psicológico do mercado. Afinal, por trás das forças compradoras e vendedoras, existem pessoas, cujas tomadas de decisões são fortemente influenciadas por questões emocionais, sejam elas euforia, ansiedade, desespero ou apreensão. Não são os fatos propriamente ditos que influenciam nos preços, e sim a forma como o mercado reage a esses fatos.

Vamos fazer um breve exercício mental. Quanto vale um lápis para você? Quanto você pagaria por um? Em situações normais, provavelmente algo próximo ao preço que é praticado em média nas papelarias. Certamente você não pagaria R$20,00 por um lápis, não é mesmo? Agora, digamos que você esteja na sala de aula, preparado para fazer aquela prova final de cálculo, quando percebe que esqueceu seu estojo em casa. É provável que, naquele momento, você esteja disposto a pagar um preço muito mais alto por um lápis (a alternativa seria reprovar em cálculo, ninguém merece, né?). Percebeu? No mercado financeiro, assim como na vida real, os preços são subjetivos e derivam da percepção de valor que o mercado tem de determinado ativo. Isso quer dizer que uma subida no valor de uma ação de 10% não quer dizer que a empresa aumentou seus lucros em 10% ou sua produção em 10%.

Vamos ver agora um dos principais fundamentos dessa escola de análise.

Movimentos do mercado já descontam tudo

Diferentemente da escola de análise fundamentalista, a análise técnica não está preocupada com notícias ao redor do mundo que podem afetar a exportação de um produto ou importação de uma dada commodity, ou em como a economia chinesa irá se comportar nas próximas semanas, se a OPEP irá reduzir a produção de petróleo, se o Banco Central vai abaixar as taxas de juros. Simplesmente, olhamos o comportamento dos preços e os padrões gráficos, tentando entender o que está acontecendo, e tentamos prever o movimento futuro dos preços, seja para comprar ou vender um dado ativo.

Uma das mais fundamentais premissas da análise técnica é a de que o mercado desconta tudo. Em outras palavras, todos os fatores (políticos, psicológicos, fundamentalistas, econômicos) que poderiam influenciar nos preços já foram recebidos pelo mercado e estão sendo refletidos nos mesmos. Isso faz sentido, não concorda? Afinal, nenhum ser humano seria capaz de avaliar tamanho número de variáveis, atribuir os devidos pesos a cada uma e, por fim, calcular o preço do ativo. Como os preços estão se movendo é, então, a questão que realmente importa.

Vamos agora falar sobre os gráficos e a análise técnica na prática.

Os Candles e o Gráfico Candlestick

Existem diversos tipos de gráficos os quais permitem diferentes formas de visualizar a evolução dos preços dos ativos, mas nenhum é de longe tão útil e tão usado por analistas técnicos quanto o gráfico de candles, ou candlestick (do inglês, castiçal). Apesar de sua simplicidade, os candles fornecem muitas informações sobre o que aconteceu em determinado período. O corpo do candle nos mostra os valores de abertura e de fechamento para um dado período, enquanto que as sombras (linhas verticais acima e abaixo) mostram os valores máximo e mínimo naquele período. O período em questão pode ser 1 dia, 1 semana, 1 hora, 15 minutos e por aí vai.

No candle da esquerda, temos um preço de fechamento menor que o de abertura, enquanto que no da direita temos um preço de fechamento acima.

Quando agrupados em um gráfico, a riqueza de informações que um analista técnico pode obter sobre um dado ativo é incrível. Veja abaixo um gráfico de candles:

Gráfico com candles de 1 dia para BRKM5 (Braskem ON). Podemos ver claramente uma tendência de alta nos preços, evidenciada pela linha lilás.

Vale também ressaltar que candles com formas diferentes podem fornecer diferentes informações, como reversões de tendência e sinais de força os quais reforçam uma tendência.

Suportes e Resistências

Quando visualizamos no gráfico que os preços de um ativo, em diversos momentos, ao chegar em determinado valor, apresentaram uma reversão de tendência, temos regiões que merecem atenção especial.

Quando os preços, ao subir, chegam a um valor e depois caem, temos uma chamada resistência. Dizemos que a força vendedora é muito forte nessa região e tende a se sobrepor à força compradora, fazendo com que os preços caiam.

Quando os preços, ao cair, chegam a um valor e depois sobem, temos um chamado suporte. Dizemos que a força compradora é muito forte nessa região e tende a se sobrepor à força vendedora, fazendo com que os preços subam.

Vejamos um exemplo gráfico:

Gráfico diário de RUMO3 (Rumo PN), resistência em laranja, suporte em azul

Para acompanhar o gráfico de candles, existe uma série de indicadores muito importantes usados pela análise técnica. Esses indicadores são divididos em categorias e possuem diferentes funções. Algumas categorias são:

  • Médias móveis
  • Tendência
  • Volatilidade
  • Momento
  • Volume

Alguns dos mais usados incluem:

Média Móvel Exponencial

As médias móveis suavizam as oscilações, facilitando a visualização de tendências. As exponenciais funcionam dando mais peso aos períodos mais recentes. É importante ressaltar que não devem ser usadas sozinhas, já que, pela sua característica de atraso, são ineficientes para tentar prever futuros movimentos dos preços e reversões de tendência.

Índice de Força Relativa (IFR)

Mostra o fôlego do mercado, o enfraquecimento de uma tendência e aponta sinais de reversão de tendência. Pode ser entendido como um medidor de quem está vencendo a disputa naquele momento: a força compradora ou a vendedora. Valores altos indicam uma força compradora se sobrepondo, e valores baixos a vendedora. Varia entre 0 e 100.

Volume Financeiro

O volume financeiro é, como o nome diz, o montante de dinheiro que foi negociado de um ativo em um determinado período (1 hora, 1 dia, 1 semana, 15 minutos, etc.). Ele é muito útil como ferramenta auxiliar, pois dá consistência aos sinais observados nos gráficos bem como confirma padrões. Um sinal de alta acompanhado por um volume financeiro acima da média pode indicar que aquele sinal não foi pontual, mas consistente, e poderá durar por algum tempo.

Gráfico diário de MRVE3 (MRV Engenharia ON), com IFR na parte de baixo (vermelho), volume financeiro (azul escuro) e média móvel exponencial em rosa

Obrigado por dedicar um pedaço do seu dia ao nosso blog. E aí, gostou do post? Ficou alguma dúvida? Tem alguma sugestão? Escreve pra gente! Lembre-se de que isso foi apenas uma introdução, há muito mais de análise técnica, mas esperamos ter te motivado a seguir aprendendo. O caminho é longo, mas vale a pena!

Se quiser um material mais completo, pode dar uma conferida na nossa apostila de renda variável.

E lembrando: em novembro será o aniversário de 2 anos da LIEQ, e para comemorar teremos nossa semana da renda variável!

Até a próxima e um forte abraço! #vemcrescercomagente

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