À vista ou parcelado? Qual escolher e como essa escolha se relaciona com investimentos?

Fala pessoal! Estamos no início de 2018 e em todo começo de ano surge aquela típica expressão: “ano novo, vida nova”. Junto com ela, vários planos e desejos são criados também. Tá pensando em comprar aquele carro? Ou fazer aquela viagem pra Disney? E conciliar tudo isso com os gastos do dia a dia? É possível?

Controlar o orçamento pode parecer um desafio, ainda mais em momentos de incerteza financeira, como os que vivemos atualmente. A grande questão é que nem sempre nos questionamos qual a melhor forma de pagar nossas despesas e muitas vezes, a cada mês, parece que elas estão aumentando.

Hoje falaremos de uma pergunta bastante simples, mas que pode não ser respondida da melhor forma em nossa rotina: À vista ou de forma parcelada? Esse post foi criado exatamente com esse intuito, de entender antes de escolher, de modo a se obter maior sucesso nas decisões financeiras.

Baseando-se na relevância desse tema, primeiramente, é de suma importância entendermos o que pauta uma compra, seja à vista ou de forma parcelada e a ótica das duas partes envolvidas na negociação: comprador e vendedor. Tendo isso em mente, partiremos para situações práticas e exemplos.

Primeiramente, é preciso deixar claro que o ato de compra/venda é uma negociação e como em toda negociação há pelo menos duas partes envolvidas. Tanto o vendedor, quanto o comprador querem se beneficiar nesse processo.

Vejamos a ótica do vendedor. O que é mais vantajoso para ele? Que o cliente/consumidor pague à vista ou de forma parcelada? No primeiro caso, ele terá o dinheiro exatamente no momento da compra, podendo pagar suas despesas imediatamente. Ou seja, ele possui maior liquidez nesse cenário. No segundo caso, ele receberia a quantia total de forma parcelada, de modo que teria menor liquidez e não conseguiria pagar suas despesas totalmente, dependendo da situação. Além disso, no pagamento à prazo, o vendedor deve pagar taxas pelo recebimento em cartões (entre 3,5% e 5%). É exatamente por isso que em compras parceladas, normalmente são cobradas taxas de juros. Os juros são uma compensação ao vendedor pelo fato dele não possuir a quantia total de dinheiro em caixa, ou seja, pela ausência de liquidez total para o vendedor.

Segue um exemplo prático que acontece rotineiramente no futebol brasileiro: Time A e Time B concluíram a negociação do atleta X, de modo que o Time A deveria repassar ao Time B 6 milhões de reais pela venda do jogador X. Contudo, em virtude da necessidade do Time B em fazer “caixa” para pagar eventuais despesas, o mesmo aceitou receber apenas 4 milhões dos 6 milhões previstos na negociação, desde que esses fossem pagos à vista. Eis aqui um exemplo prático de porque para o vendedor muitas vezes é mais vantajoso receber os pagamentos no momento da compra.

Agora, pensemos sob a ótica do comprador. Existem dois fatores que pautam essa decisão: a necessidade de se fazer a compra naquele momento, usufruindo daquele serviço de forma imediata e a disponibilidade de capital desse consumidor. Contudo, há um fator primordial que deve ser considerado pelo consumidor: se os rendimentos em aplicações financeiras nesse período eventual de parcelamento superam os descontos fornecidos nos pagamentos à vista. Para tanto, analisaremos os diferentes cenários possíveis para o consumidor, tendo em mente a matéria “Pagar à vista ou parcelar? Veja em que situações usar cada modalidade”, feita pelo g1, por Marta Cavallini em 2016. Em segunda instância, estabeleceremos a relação da forma de pagamento com os investimentos.

Situação 1: Eu tenho dinheiro no momento da compra

Considerando que você está apto a pagar suas despesas e não está comprometendo sua reserva de emergência, o mais recomendado é o pagamento à vista. Isso acontece devido à 2 fatores principais: o fato de você necessitar do serviço/produto naquele momento e a relação entre os descontos do pagamento à vista e os rendimentos das aplicações financeiras. Normalmente, se considerarmos investimentos de renda fixa, no curto prazo, os rendimentos não superarão os descontos. Demonstraremos isso de forma mais clara na sessão “Cálculos”.

Situação 2: Eu não tenho o dinheiro no momento da compra.

Nesse caso, o primeiro questionamento que você deve se fazer é: eu preciso desse serviço/produto agora? Ou seria possível adiar em alguns meses? Se a necessidade não for imediata, é uma ótima oportunidade para começar a investir. Com os rendimentos, no futuro, seria possível até usufruir de algo melhor. Na sessão “Investimentos” daremos ótimos exemplos de alternativas de baixo risco para você que se encontra nessa situação.

Contudo, se a necessidade for imediata, o pagamento à prazo deve ser considerado. Nesse caso, o mais importante é observar se tais despesas mensais não comprometerão o orçamento.

Situação 3: Eu tenho o dinheiro, mas esse se encontra investido.

Nessa situação, dependendo do tipo de investimento, o resgate antes do prazo previsto pode acarretar no pagamento de mais impostos, como o IOF, para títulos de renda fixa, ou até em um imposto de renda maior, para investimentos de longo prazo, como fundo de aposentadoria.

Dessa forma, temos que considerar: necessidade imediata do produto/serviço x impostos a serem pagos pelo resgate imediato x taxas de juros sobre o pagamento parcelado. Por meio dessa análise, sempre pagaremos as menores taxas de juros possíveis.

Múltiplas situações juntas: Tenho o dinheiro, mas não para todas as minhas necessidades imediatas.

É o caso que muitas vezes pode acontecer na prática. Nessa situação, como escolher o que parcelar e o que pagar à vista?

Em primeiro lugar, recomenda-se observar os perigos do parcelamento. Quanto mais produtos/serviços você parcela, maior deve ser o seu controle financeiro e organização. Em muitas situações, ter um registro de fluxo de caixa é extremamente importante. Eu recomendo o aplicativo “Spending tracker” para essa função. O registro pode ajudar a evitar a falsa sensação de poder que o cartão de crédito possibilita em muitos momentos.

Como segundo passo, é preciso decidir entre pagar à vista ou de forma parcelada os produtos/serviços mais caros e mais baratos. Para Luiz Rabi, da Serasa Experian, é recomendado o parcelamento de produtos mais caros e o pagamento à vista de produtos mais baratos, quando não possível o pagamento de ambos à vista. Contudo, é muito importante que o parcelamento de produtos/serviços não comprometa mais de 20% do orçamento mensal.

Por fim, uma última dica, mas não menos importante. As faturas de cartão de crédito possuem juros exorbitantes, podendo chegar a mais de 100% ao ano. Dessa forma, essas devem ser pagas de forma integral e não parceladas sob nenhuma hipótese. O empréstimo consignado (baixas taxas de juros) pode ser uma alternativa para o pagamento da fatura se essa não puder ser paga de forma imediata.

Cálculos: Citaremos agora um exemplo prático de como a pessoa pode escolher a forma de pagamento, tendo em vista que ela possui a quantia total no momento da compra. Para isso é importante considerar as taxas de juros e impostos envolvidas nesse processo e um conceito essencial para investidores e também para as decisões sobre a forma de pagamento: custo de oportunidade. O custo de oportunidade, segundo a HC Investimentos pode ser definido, de forma resumida, como o benefício perdido em detrimento a uma determinada escolha. Como diria Charlie Brown Jr., “cada escolha uma renúncia isso é a vida”. Ou seja, imagine uma situação em que temos duas possibilidades e que ao escolhermos uma delas, deixamos de fazer a outra. O “preço” que pagamos por isso é o custo de oportunidade.

Vamos a um exemplo.

Exemplo: Pagamento do IPVA

Seguem os dados iniciais na tabela abaixo:

Dessa forma, no cenário de pagamento à vista, temos um desconto de R$48,00.

Se considerarmos o pagamento à prazo, com investimentos mais conservadores como poupança e títulos públicos teremos a seguinte tabela:

Assim, o rendimento total obtido em títulos públicos seria em média de R$ 16,11 e na poupança de R$ 8,05, bastante inferiores ao desconto obtido à vista (R$48,00). Além disso, os impostos, no caso dos títulos públicos, como o Imposto de Renda, deveriam ser descontados, de modo que o valor líquido seria ainda menor.

Para o parcelamento aliado ao investimento superar os R$ 48,00 do desconto a vista, o investimento (custo de oportunidade) deveria render no mínimo 3,12% ao mês (dependendo do tipo de investimento, ainda existiriam impostos a serem descontados), o que na prática é quase impossível de se obter com investimentos de baixo risco, como os de renda fixa. Nesse caso, então, recomenda-se o pagamento à vista. Tal cálculo pode ser feito utilizando-se a Calculadora do Banco Central, disponível na internet.

Investimentos:

Para finalizar, eis aqui um raciocínio bastante simples feito por mim, mas muitas vezes não é pensado por nós no dia a dia, principalmente quando se trata de um produto/serviço que é considerado supérfluo:

Dessa forma, é possível adquirir produtos/serviços supérfluos a longo prazo. Por exemplo, imagine a seguinte situação: tenho R$ 1000, 00 para viajar, mas a viagem dos meus sonhos custa em média R$ 1400,00. Eu poderia viajar para outra localidade agora, mas, será que não vale a pena esperar 3 anos e viajar para onde desejo de fato? Existem investimentos interessantes e de baixo risco, ideais para quem está começando que podem ser realizados nesse período de 3 anos, de modo a se obter o dinheiro. Entre eles eu gostaria de destacar: Tesouro Direto, Certificado de Depósito Bancário (CDB) e Debêntures.

Para saber mais a respeito desses tipos de investimento, é possível ler o post Pare de perder dinheiro com poupança: conheça produtos que rendem mais do que a poupança com a mesma comodidade no Blog da LIEQ.

É isso pessoal. Espero que eu tenha esclarecido algumas questões comuns no dia a dia a respeito das formas de pagamento.

Bons investimentos!

Deixe um comentário